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1 de novembro de 2010

Kassab quer recriar MDB, unindo DEM e quercistas

A partir de hoje, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), de 50 anos, se torna uma das peças-chaves na reorganização dos partidos que apoiaram a candidatura José Serra (PSDB). Será um dos coordenadores de uma oposição moderada ao governo Dilma Rousseff no Congresso. Uma das ideias de Kassab, segundo assessores próximos, é fundir parte do DEM com o espólio quercista do PMDB paulista, dando origem a um novo partido chamado MDB - mesmo nome da sigla que abrigou opositores do regime militar durante os anos 70.

"Muita gente próxima do prefeito vem elogiando essa sacada dele, de resgatar o nome do MDB nessa fusão", disse um secretário municipal ao Estado.

Conciliador. Kassab foi o primeiro político a votar no Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, zona oeste, por volta das 8h30. E logo teve de responder a jornalistas perguntas sobre seu futuro. "A partir de amanhã ninguém mais tem candidato. Estaremos todos torcendo para que o próximo presidente faça um bom governo. Não é saudável de forma alguma você estender as disputas após o período eleitoral", disse o prefeito.

Diante do clima de animosidade entre PT e PSDB provocado pela campanha eleitoral, Kassab, reconhecido até por petistas como habilidoso articulador político, também deve usar seu bom trânsito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar eliminar rusgas. Também pesa a favor do prefeito nas negociações políticas a "bancada" de seis deputados federais do DEM paulista eleitos em 3 de outubro com o seu "apadrinhamento".

Segundo Kassab, o futuro do DEM começará a ser construído hoje. Mas ele desconversou sobre a possibilidade de fusão com o PMDB. "É só boato.".

Depois de sair do Sion, Kassab acompanhou o governador Geraldo Alckmin, que votou no Colégio Santo Américo, no Morumbi, zona sul. De lá o prefeito seguiu para a casa do candidato à Presidência José Serra (PDSB), no Alto de Pinheiros, zona oeste. Voltou com ele para o Santa Cruz, onde Serra votou.

À tarde, o prefeito foi para a casa da irmã, onde almoçou com os sobrinhos. No final da votação, retornou à casa de Serra. De acordo com assessores, Kassab pretendia permanecer ao lado do tucano até o discurso programado por Serra para depois do anúncio do vencedor da eleição.

21 de outubro de 2010

José Serra pede de volta panfletos que PF recolheu...Mas manda a Diocese buscar

A Diocese de Guarulhos (SP) confirmou ontem que encomendou os cerca de 1 milhão de panfletos com texto que prega o voto em candidatos contrários ao aborto e com críticas ao PT e à candidata à Presidência Dilma Rousseff por suas posições sobre o assunto, apreendidos pela Polícia Federal em uma gráfica na capital paulista no fim de semana. A diocese entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a devolução do material - recolhido depois que o TSE atendeu a pedido do PT - e a extinção do processo. Uma das sócias da gráfica é filiada ao PSDB e irmã de um coordenador de campanha do tucano José Serra.

Ao conceder a liminar determinando a apreensão, o ministro do TSE Henrique Neves entendeu que a legislação eleitoral não permite que as igrejas contribuam com publicidade em favor ou contra candidatos.

Em nota divulgada após a ação da PF, a Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que não indica nem veta candidatos ou partidos e que não patrocina a impressão e a distribuição de folhetos contra ou a favor de candidatos. No recurso, a diocese explica que não se trata de um panfleto, mas de um documento da Igreja Católica, oriundo de encontro da Regional Sul 1 da CNBB.

15 de outubro de 2010

Serra distribui santinhos com frase sobre Jesus para pedir votos


Seguindo a tática de usar temas religiosos para angariar votos no segundo turno, a campanha do tucano José Serra distribuiu nesta sexta-feira (15) santinhos que traziam a frase "Jesus é a verdade e a justiça", seguida da assinatura do candidato. As peças publicitárias foram distribuídas na entrada de um encontro que Serra teve com cerca de 1.500 professores da rede pública que foram manifestar apoio à sua candidatura.

Do outro lado do cartão plástico, há uma fotografia do peessedebista cercado por crianças e com o lema "Serra é do bem" - novo bordão dele, empregado pela campanha tucana neste segundo turno - em destaque.

A tiragem total das peças é de dois milhões de exemplares. A mesma frase foi dita por Serra numa feira evangélica, em São Paulo, ainda no primeiro turno. Na última terça-feira (12), em visita ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o candidato negou que a inclusão massiva de temas religiosos nas eleições contribua para a banalizalçao do processo eleitoral e das religões em si.

"A questão religiosa entra naturalmente (na campanha). Não aparece como estratégia de campanha. A maioria da população é religiosa. Isso não macula o Estado brasileiro, que é laico", disse Serra na ocasião.

7 de outubro de 2010

Voto feminino foi decisivo para levar a eleição ao 2ºturno, dizem especialistas

Repetindo um padrão observado nas eleições presidenciais de 2002 e 2006, o eleitorado feminino foi decisivo para adiar o desfecho das eleições, segundo cientistas políticos e demógrafos que estudam o voto das mulheres. Além de serem a maioria do eleitorado brasileiro (cerca de 52%), as mulheres são maioria também entre os eleitores indecisos (cerca de 60%), e foi essa fatia que engordou os resultados da verde Marina Silva (principalmente) e do tucano José Serra na reta final do primeiro turno, em detrimento da petista Dilma Rousseff.

Levando-se em consideração só o eleitorado masculino, Dilma seria eleita, no 1oturno, com 54% dos votos válidos, segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, e segundo o Ibope. As mulheres mais conservadoras foram as que mais transferiram seus votos, provavelmente influenciadas pela ação de grupos religiosos que associaram Dilma a uma posição favorável ao aborto, dizem os especialistas: - A proposta de Marina Silva de deixar uma questão moral, como o aborto, para ser resolvida por plebiscito, somada à pressão de grupos religiosos convenceram o voto feminino conservador, especialmente em regiões mais atrasadas e fora dos grandes centros urbanos, a mudar de posição - diz Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos (Uscar).

Fatia de mulheres indecisas é o dobro da de homens Descontando-se os erros de precisão de alguns institutos de pesquisa nestas eleições, a evolução do voto feminino e masculino, medida pelas pesquisas Datafolha e Ibope nas últimas semanas, dá uma idéia da fuga do voto das mulheres de Dilma. Segundo o Datafolha, o índice do votos femininos em Dilma caiu de 47%, na sondagem de 21 e 22 de setembro, para 42%, às vésperas das eleições, este mês. Já os percentuais de votos femininos em Serra passaram de 28% para 30% no mesmo período. E, para Marina, a alta foi ainda mais significativa: de 14% para 18%.

Segundo a socióloga Fátima Pacheco Jordão, do Instituto Patrícia Galvão, a fatia de mulheres indecisas, no universo total de votos femininos, é o dobro da fatia de homens indecisos. Para ela, as mulheres são mais cautelosas, em parte porque percebem a política como um território eminentemente masculino - do qual, historicamente, foram alijadas. Ao empurrarem a decisão para o último momento, são afetadas pelas ações de grupos de pressão: - Como o voto dos indecisos não é precisamente contabilizado nas pesquisas, novas tendências acabam nebulosas, o que é fatal num cenário de disputas resolvidas por um ou dois pontos percentuais.

Ela observa que o perfil político das mulheres explica também a vantagem de Serra e Marina no eleitorado feminino: - Enquanto os homens estão focados na política partidária e de poder, preocupados com disputadas ideológicas ou programáticas, as mulheres estão voltadas para a micropolítica ou políticas públicas, atentas a questões como vagas em escolas, atendimento em postos de saúde, incluindo questões femininas, como essa discussão sobre o aborto. E tanto Marina quanto Serra foram mais específicos nesses pontos, ainda que todos tenham um discurso desprovido de propostas claras.

Serra falou a verdade, mas os jornais dizem que ele se confundiu

'Nunca disse que sou contra, porque sou a favor', disse tucano, para depois se corrigir; ele afirmou que o chamam de 'atrasado'

Depois de quase meia hora de discurso para aliados ontem, em Brasília, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, se confundiu e se atrapalhou ao tratar do assunto mais polêmico da campanha nos últimos dias: a legalização do aborto no país.

Serra se enganou e disse, primeiro, que era a favor do aborto, mas depois se corrigiu e disse que sempre foi contra a legalização do aborto por convicção.

Quando ministro da Saúde, em 1998, ele normatizou o atendimento na rede pública para casos permitidos em lei - estupro e risco de vida para a mãe.

No discurso, no encontro com aliados, Serra fez mais uma provocação à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que já defendeu a descriminalização do aborto, mas adota na campanha um discurso mais cauteloso. Serra disse que as pessoas não podem mudar de opinião sobre assuntos como o aborto e lembrou que o PT já expulsou parlamentares que eram contra a legalização da prática.

Serra disse ainda que essa tentativa agora do PT de negar que defende o aborto, pensando até em retirar esse ponto do seu programa, era "inacreditável".

A confusão de Serra gerou um silêncio apreensivo na plateia, que depois aplaudiu quando Serra se corrigiu.

- Nunca disse que sou contra o aborto, porque sou a favor do aborto - disse Serra, corrigindo-se, em seguida. - Ou melhor: nunca disse que era a favor do aborto, porque sou contra o aborto. Tem amigos que me acham um atraso.

Mas tenho minhas razões íntimas, pessoais, de história, para ter essa convicção.

Em seguida, em mais uma referência indireta a Dilma, disse que não era errado ter "convicções na vida", mas que era errado, sim, tentar esconder suas opiniões. Para o tucano, isso é querer "enrolar" o eleitorado.

- O que não tem direito é uma campanha presidencial enrolar, ficar enrolando. No fundo, é desrespeitar as pessoas - disse.

Serra também criticou o PT: - O PT vai tirar (a defesa do) aborto do programa. É uma coisa inacreditável.

24 de setembro de 2010

PT pede investigação em vídeos emcomendados por Serra e divulgados na internet pelo PSDB

A campanha de Dilma Rousseff entrou ontem com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a coligação O Brasil Pode Mais, do candidato tucano José Serra, questionando a publicação de uma série de vídeos na internet, feitos a pedido da direção nacional do PSDB.

As peças acusam o PT de "não gostar da imprensa" e "atacar seus adversários e a família dos seus adversários". Na ação, os advogados pedem liminar para retirar o vídeo do ar e para que seja impedida a exibição no horário eleitoral gratuito. A coligação solicitou à Polícia Federal e ao Ministério Público que investiguem o caso para apurar a autoria e a divulgação dos vídeos.

Ontem, Dilma falou sobre ataques à sua candidatura. "Não podemos fazer política com ódio. O ódio é que nem droga, vicia. É fácil entrar e é difícil de sair." Ao comentar sobre o conteúdo dos vídeos, a candidata afirmou: "Não iremos, em nenhuma circunstância, baixar o nível nessa campanha. Falo isso com absoluta convicção de que quem baixa o nível, quem utiliza desses expedientes, nem o Brasil nem a história perdoam."

Na ação ao TSE, os advogados da campanha apontam o "alto custo" como evidência de que os vídeos teriam sido produzidos "a mando do candidato José Serra". Outra prova seria a presença da logomarca da coligação de Serra nos filmes. A ação cita, ainda, matéria do Estado que antecipou a divulgação dos vídeos.

O conjunto de seis vídeos, postado na internet na quarta-feira, foi encomendado pela direção do PSDB ao marqueteiro Adriano Gehres. Eles não têm relação com o marqueteiro da campanha, Luiz Gonzalez. Roteiro e versão final foram submetidos ao presidente do PSDB, Sergio Guerra, e a Serra. A ala política da campanha defende um tom mais ácido em relação ao PT, daí a encomenda das produções.

A contratação do marqueteiro deve constar da prestação de contas do partido, e não da campanha. O coordenador jurídico da campanha de Serra, Ricardo Penteado, disse que "a postagem dos vídeos não é de responsabilidade da coligação".

Crimes. A campanha de Dilma acusa o adversário de cometer "crimes". "A publicidade foi veiculada com formato de inserção, produzida com trucagem para propalar informações sabidamente inverídicas e degradantes contra filiados a um partido formalmente registrado, bem como com injúria e difamação contra a candidata Dilma Rousseff", diz a ação.

Para o PT, os vídeos agridem a "honra" do partido e de Dilma. Além da retirada dos vídeos do ar, a campanha petista pede que a coligação de Serra seja condenada ao pagamento de multa no valor pago pela produção.

"O objetivo é apurar crime, quem são os criadores. Há indícios veementes que são nossos adversários, mas queremos que seja apurado pela polícia", explicou o deputado José Eduardo Martins Cardoso (PT-SP), coordenador jurídico da campanha.

A coligação teria, ainda, notificado o Google - responsável pelo site YouTube, onde os vídeos foram publicados - para a retirada da propaganda.

A despeito de a ação do PT ao TSE ter estabelecido a ligação entre os vídeos e tucanos, o coordenador de comunicação da campanha de Dilma, Rui Falcão, afirmou que o PT não acusará o PSDB. "Não sei de quem é, mas o que importa é que isso tem de ser retirado do ar." Para o petista, a retórica dos vídeos repete a utilizada pelo PSDB na campanha de 2002 quando o presidente Lula era candidato. "É a mesma retórica do medo, que fala dos radicais do PT. O PT participa do governo Lula e é natural que participe também do governo Dilma", rebate Rui Falcão.

Pela manhã, e-mails enviados pela campanha petista alertavam para mensagens "inventadas" que estariam circulando na internet. Numa referência à campanha de 2002, o texto publicado no site da candidata afirma que "a baixaria reeditou a tática do medo". /

Passageiros em voo nacional crescem 30%

O movimento de passageiros em voos nacionais aumentou 30,58% em agosto ante o mesmo mês de 2009, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Turismo.

Foi o melhor agosto da série histórica, com 6 milhões de desembarques, ante 4,6 milhões do ano passado.

No acumulado de janeiro a agosto, houve 43,3 milhões de desembarques, outro recorde para o período, com acréscimo de 23% na comparação com os oito primeiros meses de 2009.

"Se for mantido esse ritmo, fecharemos o ano com 64 milhões de desembarques domésticos", afirmou em comunicado o ministro do Turismo, Luiz Barretto.

Em 2009, 56 milhões de passageiros desembarcaram nos aeroportos nacionais, segundo informação da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária).

Os desembarques internacionais também bateram recorde em agosto, com alta de 32,52% ante ao mesmo mês do ano passado. Ao todo, foram 722,3 mil passageiros nesse tipo de voo. Já no acumulado do ano, eles somaram 5,1 milhões.

Os dados da Infraero incluem desembarques de passageiros residentes e não residentes no Brasil.

18 de setembro de 2010

Interferência do namorado de Marta agrava crise em chapa

A interferência do empresário Márcio Toledo, namorado de Marta Suplicy (PT), na campanha dela ao Senado agravou a crise instalada entre os candidatos majoritários do partido em São Paulo.

No último domingo, Toledo teve uma reunião com o ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), e sugeriu ao comunista que incentivasse um "distanciamento" entre Netinho de Paula (PC do B) e o PT paulista.

O fato de Toledo não ser petista nem integrar oficialmente a coordenação da campanha de Marta, mas, ainda assim, participar de reuniões e decisões políticas, enervou a cúpula do partido.

Netinho e Marta são os candidatos da chapa do PT ao Senado. O último Datafolha mostrou empate técnico entre os dois. Há duas semanas, ela liderava isolada a corrida eleitoral.

Desde então, Marta tem reclamado que sua campanha está sendo preterida pelo candidato do PT ao governo do Estado, senador Aloizio Mercadante, em favor da candidatura de Netinho.

O encontro entre Toledo e Orlando Silva, uma das lideranças nacionais do seu partido, aconteceu no último domingo. O secretário-geral do PC do B, Walter Sorrentino, também participou.

Orlando Silva procurou por Marta, mas Toledo foi designado para representá-la. Entre outras coisas, o namorado de Marta teria dito que o PT está dividido entre a ela e Mercadante, e Netinho teria escolhido "o lado errado".

O comando da campanha do PC do B confirmou a conversa entre Orlando Silva e Márcio Toledo, mas argumentou que o objetivo do contato foi pacificar o clima entre os dois candidatos na reta final da campanha.

Na versão dos comunistas, o ministro procurou Marta para dizer que o PC do B não criará tensões.

Já a assessoria de imprensa de Marta disse que o ministro procurou Toledo para pedir que a petista e Netinho fizessem "agendas juntos".

No entanto, o encontro agravou as relações entre os candidatos do PT.

Mesmo antes, o clima não era bom. Havia desconfiança de que Marta e Aloysio Nunes, candidato do PSDB ao Senado, tivessem feito acordo baseado na equação de que a petista não bate nem apanha do tucano, mas este ataca Netinho.

Na tentativa de aplacar a crise que se instalou por conta da conversa entre Orlando e Toledo, o presidente do PT no Estado, Edinho Silva, conversou na última quarta-feira com o ministro.

Edinho também esteve com Marta e o coordenador da campanha de Mercadante, Emidio Souza. Pediu união entre as candidaturas.

12 de setembro de 2010

Situação de Maia e Maciel assusta o DEM

A nova rodada de pesquisas do Datafolha publicada ontem e hoje traz duas notícias preocupantes para o DEM.

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia, que foi ultrapassado por Lindberg Farias (PT) e corre o risco de não se eleger, é um dos principais líderes nacionais da sigla e pai do atual presidente da sigla, o deputado Rodrigo Maia.

Em Pernambuco, caso Armando Monteiro (PTB) continue crescendo, o partido pode perder Marco Maciel (DEM), que foi por oito anos vice-presidente no governo FHC.

10 de setembro de 2010

Cemig é barrada em transmissoras

A Cemig informou que sua controlada Transmissora Aliança de Energia Elétrica (Taesa) não conseguiu concluir a compra de participações na Nordeste Transmissora de Energia Elétrica (NTE) e na Transmissora de Energia Elétrica (STE). Segundo a Cemig, um acionista das duas companhias exerceu seu direito de preferência sobre a aquisição das participações e inviabilizou o negócio. O site das empresas indica que o outro sócio é a espanhola Abengoa.

A Taesa pretendia comprar da Cymi Holding suas participações de 49,99% na NTE, de 49,90% na STE e também 40,0% da Interligação Elétrica de Minas Gerais (IEMG) por R$ 275 milhões.

A Cemig informou que, no caso da IEMG, os acionistas dessa empresa têm até o dia 6 de outubro para exercer o direito de preferência na aquisição da fatia da Cymi.

A Taesa, antiga Terna Participações, é controlada pela Cemig em conjunto com outros investidores.

A saída para um partido de fogo morto

PMDB e DEM fazem as contas de uma incorporação

As listas públicas dos milhares cujo sigilo foi quebrado garantirão uma manchete por dia até as eleições. Quando o último voto for contado, a imprensa terá descoberto que mais uma campanha eleitoral passou por baixo de suas pernas. A apuração dos vazamentos estará longe de sua conclusão, mas o mapa político do país terá sido redesenhado. Seus contornos só serão conhecidos a posteriori, embora o mercado eleitoral já forneça claros indícios do que está por vir.

A crônica da escandalogia ignora, por exemplo, a movimentação para o novo Congresso. Qualquer que seja o eleito, a Presidência estará desprovida de um ocupante com a capacidade de comunicação do atual titular. A ausência de um presidente que se confunde com seus governados pode desinibir o Congresso a fazer política.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se antecipou a esse fortalecimento do Congresso ao pôr em curso uma frente liderada pelo PT agregando antigos aliados como PSB, PDT e PCdoB. Um de seus objetivos seria conter o poder revigorado com que o PMDB iniciaria um eventual governo Dilma Rousseff. Mas o partido de Michel Temer também já está de olho num primo pobre, que já foi arrimo de família, mas ainda deve sair das eleições com capacidade de encorpar uma parceria, o DEM.

Nem um lado nem o outro assumem abertamente os termos da discussão, mas o nome é esse mesmo: incorporação.

Não é de hoje que o DEM declina, mas esta eleição deve marcar um mergulho acentuado ao fundo do poço. O líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), que enfrenta uma difícil reeleição, resumiu ao repórter César Felício o drama do partido: "A chave para Serra sair da situação está na mídia eletrônica e não nos palanques regionais". Em português, Serra que faça bom uso do escândalo da Receita. No seu reduto Agripino tem mais é que buscar voto.

O partido elegeu 14 senadores, mas hoje apenas seis deles têm mais quatro anos de mandato. Graças a estes não será transformado em partido nanico no Senado porque, desta vez, apenas Demóstenes Torres (GO) tem reeleição garantida.

Na Câmara, a situação é igualmente dramática. O partido que chegou a ter a maior bancada (105) da Casa no segundo governo Fernando Henrique Cardoso, elegeu 65 em 2006 e não há previsões realistas de que este ano ultrapasse os 40 deputados.

A estratégia de sair dos grotões e se firmar no centro-sul fracassou. Mingua do Oiapoque a Chuí.

Tendo perdido seu único governador, José Roberto Arruda (DF), para o ralo, a legenda disputa como cabeça de chapa três Estados, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Norte, mas só neste último é favorita.

O partido ainda comanda um dos maiores orçamentos da República, o da cidade de São Paulo, e é nela que a ideia da incorporação mais avança.

O prefeito Gilberto Kassab é o fiador no DEM da aliança com o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. As largas chances de que o tucano seja derrotado coloca em xeque o futuro desta aliança.

A aproximação de Kassab com o PMDB deu-se em sua reeleição, que teve Alda Marcantônio, uma quercista de carteirinha, como vice na chapa e estreitou-se agora com a perspectiva de falência da aliança com o PSDB.

Kassab não precisa da incorporação se mudar de mala e cuia para PMDB uma vez que, sem mandato a partir de 2013, escaparia das punições da fidelidade partidária, mas a aproximação sinaliza um rumo para o partido.

A permanecer numa aliança com os tucanos, Kassab veria estreitadas as perspectivas de sua carreira política. A se confirmar seu favoritismo na disputa estadual, Geraldo Alckmin passará a ser o condestável do PSDB paulista. A completa ausência de Kassab na campanha de Alckmin é apenas um dos indicativos de que dificilmente haverá espaço para o prefeito disputar, por exemplo, o Senado em 2014 em aliança comandada pelo eventual governador.

Kassab vai tratando de engordar seu quinhão com a eleição de uma bancada robusta no Estado. A bancada do DEM em São Paulo, que já é duas vezes maior que a do PMDB [6 x 3], pode crescer ainda mais.

Entre os pemedebistas de São Paulo, o grupo de Orestes Quércia, que ainda comanda o diretório e agora se vê desfalcado com a desistência de sua principal liderança da disputa ao Senado, é o que trata mais abertamente da aproximação.

Mesmo sem a verticalização imposta, a aliança DEM/PSDB acabou se nacionalizando e hoje os dois partidos estão na mesma coligação na maioria dos Estados. Não dá para tratar de divórcio antes do resultado das urnas, mas uma aproximação do DEM com o PMDB já teria, de saída, como um de seus principais adversários o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), pai do atual presidente do partido. Parecem pequenas as chances de aproximação entre Maia e o governador quase reeleito, Sérgio Cabral (PMDB), mas também já foram maiores as perspectivas de eleição do ex-prefeito ao Senado.

O PMDB e o DEM estão em palanques opostos em 15 Estados, e só as eleições poderão dimensionar os obstáculos de uma aproximação. No Norte, há baixas resistências, a serem contornadas pela família Sarney, que sempre manteve os pés em ambas as canoas. No Nordeste, os nós limitam-se a Sergipe e Paraíba. No Sul, a imprevisibilidade de Requião parece ser o único constrangimento. O Centro-Oeste é um enrosco só, a começar por Goiás, o maior deles. E em Minas, o poder de atração de Aécio Neves torna tudo mais difícil.

Uma incorporação teria que ser votada em convenção do partido o que, no caso do DEM, é um encontro para referendar o que já está conchavado. Só a perspectiva de voltar a ter franqueado o acesso ao gabinete de um diretor do Banco do Brasil ou da Petrobras seria capaz de desatar esses nós. Não se trata mais de reeditar a aliança dos anos 80 de onde nasceu a Nova República ou o Centrão da Constituinte. Seja qual for o eleito é o centro que comandará. O que está em jogo é a disputa de poder interna a uma grande coalizão de governo. As urnas dirão se o DEM será capaz de atravessar mais quatro anos de declínio sem perspectiva de voltar ao poder.Valor Econômico

7 de setembro de 2010

Banda presidencial toca música de Lady Gaga antes de desfile

A banda presidencial Dragões da Independência tocou diversas músicas para animar o público antes do início do desfile de 7 de setembro em frente à Esplanada dos Ministérios em Brasília, por volta das 8h45 desta terça-feira. Dentre as músicas apresentadas estava Paparazzi, da cantora americana Lady Gaga.



Estão presentes ao desfile o presidente Luís Inácio Lula da Silva, acompanhado de sua esposa, a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso; o ministro do Turismo, Luiz Barreto; o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer; o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim; o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins; a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e o governador do Distrito Federal, Rogério Rosso. Não compareceram o vice-presidente José Alencar e o presidente do Senado, José Sarney.

O desfile de 7 de Setembro em Brasília conta com a participação de cerca de 3,5 mil civis e militares na Esplanada dos Ministérios. Neste momento, acontecem as apresentações com participação de grupos culturais, que representam escolas e tradições regionais, por meio de danças e músicas.

Em seguida, deve acontecer a parte militar do desfile. Estão previstas apresentações das missões brasileiras de paz, da Força Expedicionária Brasileira (FEB), de paraquedistas e dos Fuzileiros Navais, entre outros. Ao todo, serão 107 viaturas, 50 motocicletas e 250 cavalos.

A Força Aérea Brasileira participa com 28 aeronaves, incluindo sete aviões T-27 Tucano do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido popularmente como Esquadrilha da Fumaça.

4 de setembro de 2010

José Serra foi mais cedo. Mas antes, criou um dossiê para aporrinhar a vida da Dilma

Como disse um veterano político paulista enquanto acompanhava a apuração da eleição de Jânio Quadros contra Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura pulistana, a batida das urnas é inexorável. Aplicada às atuais pesquisas, na medida do possível, essa máxima pode se aproximar da vantagem da petista Dilma Rousseff sobre o tucano José Serra. Os números são cada vez mais reveladores e somente uma virada espetacular mudará o quadro aterrador que se apresenta a Serra em outubro.

A análise de todas as pesquisas, especialmente a do Datafolha, mostra que o tucano perde terreno em todo o país, de modo particular de Minas para cima. Dilma aumenta a diferença a seu favor no Nordeste, cresce no Rio e diminui a distância em relação a Serra no Sul. Já o candidato do PSDB não tem onde crescer, a não ser através de um discurso de tal forma convincente que vire a cabeça do eleitorado. O que parece improvável, pelo ramerrão da campanha até aqui.

A esperança dos tucanos e seus aliados é o horário eleitoral gratuito da televisão e do rádio.Não surtiu efeito. Parace que foi pior ainda quando Serra colocou a cara feia na tv. Apostavam nos debates e ao que tudo indica Serra perdeu pontos preciosos no confronto entre os presidenciáveis, com Dilma Rousseff, na Band. E se não houver um milagre esta será a mesma batida dos demais debates, que na verdade não acrescentam muito em termos de voto. Nem o favorecimento do tucano pelo casal William Bonner e Fátima Bernardes na entrevista do Jornal Nacional, adiantou alguma coisa.Resta esperar.

A virada da Verônica

Ainda que sem entender direito o bate-boca em torno da lambança na Receita Federal, já tem muito eleitor revoltado com “tudo isso que aí está” decidido a votar na filha do Serra. Parece mesmo a melhor pessoa de toda essa história! Apresentada no Horário Eleitoral Gratuito como mulher ficha limpa, trabalhadora, mãe de três filhos, Verônica tem, segundo o próprio pai, o mérito que falta aos candidatos em geral: “Ela nunca se meteu com política!”

A quebra de sigilo fiscal que a fez popular acabou revelando alguém verdadeiramente confiável nesse mar de tiriricas fazendo marolinhas na propaganda política de todo santo dia. Verônica não promete nada, não diz besteira, não faz campanha, a rigor nem aparece na TV. Todo mundo a reconhece como vítima, daí a identificação imediata do eleitor com a não-candidata dos tucanos.

Se as eleições fossem hoje, Verônica Serra só não estaria eleita porque não é candidata a nada. Não quer ou, vai ver, não imaginou que os aloprados fossem estúpidos a ponto de tentar outra vez. Atacar a inteligência desse jeito, francamente, só engrandece o adversário. Resta saber se, a exemplo do que acontece com a Dilma graças ao Lula, vai ter gente votando no Serra por causa da Verônica!Tuty

2 de setembro de 2010

Polícia Federal prende vereadores, prefeito e vice de uma das maiores cidades do Mato Grosso do Sul. A suspeita é de fraudes em licitações.


Uma ação da Polícia Federal (PF) realizada ontem deixou Dourados (MS) sem comando. Durante a Operação Uragano — uma alusão, em italiano, a furacões —, a PF prendeu o prefeito, o seu vice, o presidente da Câmara Municipal e oito dos 12 vereadores da cidade. O grupo é acusado de fraudes em licitações públicas e pagamento de propina, corrupção ativa e formação de quadrilha. O esquema envolvia ainda nove servidores públicos — sendo cinco secretários municipais — e outras sete pessoas, incluindo a primeira-dama, que foi detida em Brasília enquanto participava de um evento promovido pelo governo federal. Ela é acusada de ter recebido dinheiro para fazer uma cirurgia plástica.

A PF não precisou de muito tempo para fazer a investigação, iniciada em maio. O esquema foi descoberto pelo secretário de Comunicação da prefeitura de Dourados, Eleandro Passaia, que gravou várias vezes o prefeito Ari Artuzi (PDT) fazendo pagamentos aos vereadores. O dinheiro que bancava o mensalinho de Dourados vinha, segundo a polícia, das empresas que forneciam produtos e serviços para a prefeitura. As licitações realizadas pelo município eram direcionadas a firmas que repassavam a Artuzi quantias que variavam de 10% a 50% dos valores dos contratos. Isso rendia ao prefeito em torno de R$ 500 mil mensais.

Passaia repassou as gravações para a Polícia Federal, mas garantiu que não participava do esquema. Para ajudar os investigadores, o secretário chegou a receber R$ 15 mil do prefeito, que, assim como seus familiares, secretários, empresários, empreiteiros e vereadores, estava sendo monitorado pela PF. A apuração detectou que não apenas os políticos do partido ou da base aliada de Artuzi, mas também os da oposição, recebiam a mensalidade. O dinheiro da propina seria destinado à campanha. Um dos presos, o presidente da Câmara, Sidlei Alves da Silva (DEM), é candidato a deputado estadual nas eleições deste ano.

Além disso, o prefeito usava o dinheiro em benefício próprio, como o pagamento de R$ 10 mil por uma cirurgia plástica em sua mulher, Maria Aparecida de Freitas. Ela foi presa durante um evento realizado pela Secretaria de Política para as Mulheres que custou R$ 160 mil, conforme informou o Correio ontem. Segundo Eleandro Passaia, um dos motivos que o levou a denunciar Artuzi foi a intervenção cirúrgica. Na mesma semana em que o prefeito recebeu R$ 100 mil do Hospital Evangélico — e repassou R$ 10 mil para o procedimento na primeira-dama —, uma criança morreu na instituição por falhas no atendimento. Durante as buscas realizadas ontem pela PF, foram apreendidos R$ 145,8 mil na casa do prefeito.

Manifestações
Incrédulos e revoltados, moradores e instituições da sociedade civil de Dourados foram para a frente da delegacia da Polícia Federal da cidade pedir a saída de Artuzi e dos nove vereadores. Ninguém sabia quem iria governar a cidade, uma das maiores de Mato Grosso do Sul, com a prisão do prefeito e seu vice, Carlos Roberto Assis Bernardes. Conhecido como Carlinhos Cantorm, ele também recebia parte do dinheiro pago pelas empresas, além do presidente da Câmara. A prisão do prefeito é temporária e vai durar cinco dias. Até lá, o juiz da cidade, Eduardo Machado Rocha, assume o Executivo.

Além das 28 prisões, a Polícia Federal realizou 38 conduções coercitivas — quando as pessoas são levadas à delegacia apenas para prestar depoimento — e diversas buscas e apreensões.

O número
50%
dos valores dos contratos eram repassados por empresas aos envolvidos no esquema de desvio de verbas


Os detidos

Sete dos 28 presos pela Polícia Federal não são servidores públicos. Confira a lista completa dos suspeitos

SERVIDORES PÚBLICOS
Ari Artuzi (prefeito)

Cláudio Marcel Hall (vereador licenciado e secretário de Serviços Urbanos)

Dílson Cândido de Sá (secretário de Panejamento e Obras)

João Kruger (controlador-geral)

José Roberto Barcelos Junior (ex-chefe de licitação)

Helton Farias (gestor de compras)

Ignez Boschetti Medeiros (secretária de Finanças)

Tatiane Moreno (secretária de Administração)

Marco Aurélio de Camargo Areias (superintendente do Hospital Evangélico)

Thiago Vinícius Ribeiro (departamento de licitações)

Alziro Moreno (procurador-geral)

VEREADORES
Sidlei Alves (presidente da Câmara Municipal)

Carlinhos Cantor (vice-prefeito)

Aurélio Bonatto (vereador)

Edvaldo Moreira (vereador)

Marcelo Barros (vereador)

Humberto Teixeira Junior (vereador)

José Carlos Cimatti (vereador)

Julio Artuzi (vereador)

Paulo Henrique Bambu (vereador licenciado)

Zezinho da Farmácia (vereador)

OUTROS
Maria Aparecida de Freitas (primeira-dama)

Paulo Ferreira do Nascimento

Sidnei Lemes Erédia

Antonio Araújo

Geraldo de Assis

Carlos Gilberto Recalde

José Antonio Soares

29 de agosto de 2010

Juan Manuel Santos dá um chega prá la na Veja

Ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos assumiu a Presidência da Colômbia em 7 de agosto sob a sombra de Álvaro Uribe, seu padrinho político, que deixou o governo com 75% de aprovação popular. Há três semanas no cargo, Santos conta com a natural boa vontade do público com os recém-empossados e apresenta um índice de aprovação de 84%. Ele adotou um tom conciliador com seus vizinhos bolivarianos e logo depois da posse se encontrou com o venezuelano Hugo Chávez, restabelecendo as relações diplomáticas. Iniciou também conversações com Rafael Correa, presidente do Equador. Santos desembarca em Brasília nesta quarta-feira com a firme intenção de fortalecer suas relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele falou a VEJA na Casa de Nariño, palácio de despachos e residência oficial do presidente colombiano em Bogotá.

Que tipo de vizinho o Brasil é para a Colômbia?
Para nós interessa muito ter uma relação mais estreita com o Brasil, um país com o qual eu, também pessoalmente, tenho uma relação especial e muito próxima. Minha primeira atuação profissional foi na Organização Internacional do Café. Então, nossos sócios naturais eram os brasileiros, o Itamaraty. Aprendi com os diplomatas brasileiros muito do que sei hoje no que se refere a negociação internacional. Escolhi o Brasil como o primeiro país que visitarei como presidente. Os investimentos brasileiros na Colômbia estão crescendo muito. Temos afinidades e interesses comuns. Além disso, houve o convite especial do presidente Lula, pelo qual fiquei muito grato.

Que tipo de vizinho é a Colômbia para a América Latina?
Nossa região passa por um momento muito especial porque nós temos em abundância recursos que são crescentemente escassos no mundo. Refiro-me a energia, água, capacidade de produzir mais alimentos e biodiversidade. Cada país da América do Sul e da América Latina é por si só muito forte. Mas unidos seremos uma grande potência. Tenho fundadas esperanças no sucesso do processo de integração. Fui um dos “pais da integração” do grupo andino, que, infelizmente, não evoluiu tanto quanto podia.

O partido do presidente Lula, o PT, tem relações documentadas com as Farc. O senhor pretende obter de Lula o repúdio público à guerrilha, nos moldes da declaração feita por seu colega venezuelano Hugo Chávez?
Quando fui ministro da Defesa, minha experiência com o governo do presidente Lula foi muito positiva. Obtive um rechaço categórico às Farc por parte do ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante uma viagem dele à Colômbia. Ele disse que não permitiria que as Farc tivessem nenhum tipo de presença ou influência no Brasil.
O ministro afirmou que os guerrilheiros seriam recebidos a tiros, o que nos causou uma impressão muito boa. Não tenho, portanto, percebido afinidade ou complacência do governo Lula com o terrorismo e estou certo de que, quando nos sentarmos para conversar, essa será a posição do presidente brasileiro.

Documentos encontrados nos computadores de Raúl Reyes (chefe guerrilheiro morto por comandos colombianos em 2008 no lado equatoriano da fronteira) revelam contatos bem amigáveis entre as Farc e alguns integrantes do PT…
Sim, é possível que tenha ocorrido algum contato do PT com as Farc — assim como as Farc tiveram contato com diversos políticos colombianos, inclusive comigo. Tive contato com as Farc durante os processos de paz. O fato de alguns nomes de brasileiros terem aparecido nos computadores das Farc não necessariamente significa que aquelas pessoas sejam cúmplices com grupos fora da lei. Uma coisa é estabelecer contatos, outra é ser cúmplice.

É possível “virar a página” na crise com a Venezuela mesmo sabendo que ainda há guerrilheiros das Farc naquele país?
Nossa intenção com a Venezuela é ter relações boas e duradouras, nas quais nossas diferenças são respeitadas de lado a lado. O presidente Chávez e eu fomos muito francos um com o outro. Eu sei que não vou mudar sua maneira de pensar, e ele sabe que não vai mudar a minha. É um avanço. O que tínhamos era o pior dos mundos. A única coisa ainda pior teria sido uma guerra, o que para mim é impensável. Por isso, estamos fazendo esforços para melhorar as relações sem interferências na soberania de cada país.

Mas isso não altera a realidade de que os terroristas das Farc mantêm bases na Venezuela…
O presidente Chávez afirmou claramente que não vai permitir a presença de grupos à margem da lei em território venezuelano. Espero que isso se cumpra, porque é parte vital para a manutenção de nossas relações em bom nível.

Dá para confiar no presidente Chávez?
Nossa reunião em Santa Marta foi muito franca, muito sincera. Eu já conhecia o presidente Chávez, que é muito… muito… amável pessoalmente. Ele tem o sangue caribenho. Acho que começamos nossa convivência com o pé direito. Era o dia do meu aniversário, e ele chegou brincando com os repórteres: “Venho no dia do aniversário do presidente, que acredito completar 36, 37 anos”. Mais tarde, quando ele me cumprimentava na Quinta de San Pedro Alejandrino, que abrigou a reunião, eu o saudei muito sério e disse: “Presidente, começamos muito mal”. Ele ficou me olhando, surpreso, e disse: “O que aconteceu?”. Eu respondi: “Você falou que parecia que eu estava completando 36, 37 anos, e isso pode me trazer problemas porque minha esposa vai exigir muito mais de mim”. Rimos bastante. Isso quebrou o gelo.

E então…
Então deixei claro a Chávez que não aceito intervenção dele no processo de paz colombiano. Aliás, disse a mesma coisa ao presidente Lula. Chávez respondeu-me que estava totalmente de acordo. Eu então acrescentei que deveria parar de criticar o presidente Uribe (Álvaro Uribe, antecessor de Santos). Sou leal a Uribe e terei de defendê-lo toda vez que alguém o criticar na minha presença. Uribe fez um grande trabalho na Colômbia. Também em relação a isso, obtive a concordância de Chávez.

O senhor concorda com a apropriação que a esquerda sul-americana fez do legado de Simón Bolívar?
Não, de maneira alguma. Bolívar pertence a todos os latino-americanos e a todos os povos libertados, não importa a posição política ou a origem de classe. Não podemos nos esquecer de que Bolívar era uma pessoa que se identificava muito com a aristocracia latino-americana. Não creio que ninguém possa se apropriar de suas ideias, afinal elas pertencem a todos. Não podemos nos esquecer também das limitações derivadas da circunstância histórica em que ele viveu. Bolívar queria reinstalar a monarquia na América. Acredito que o presidente Chávez não deve achar essa ideia válida atualmente. O fato é que ninguém pode se dizer o único herdeiro do legado de Bolívar.

Outro vizinho com quem a Colômbia esteve em pé de guerra foi o Equador, do presidente Rafael Correa. Como vai a diplomacia nessa frente?
Tivemos uma reunião muito boa também com o presidente Correa. Como ele havia solicitado, eu lhe entreguei todo o material que encontramos nos computadores de Raúl Reyes. Muito em breve vamos normalizar totalmente as relações entre nossos países.

A Corte Constitucional suspendeuo acordo que permite às tropas americanas usar bases militares na Colômbia. Isso atrapalha as relações com os EUA?
Acatamos a decisão de nossa Corte, a única atitude possível em uma democracia. Mas ela não prejudica em nada as relações bilaterais entre a Colômbia e os Estados Unidos. A única coisa afetada temporariamente foram os recursos destinados a ampliar uma das setebases. Temos relações muito boas com os Estados Unidos, e elas continuarão assim.

Os Estados Unidos investiram 6 bilhões de dólares no combate ao narcotráfico nos termos do Plano Colômbia. Muda alguma coisa?
Os termos de cooperação entre nosso país e os Estados Unidos permanecem os mesmos, com ou sem a aprovação formal do acordo.

As Farc estão mesmo por trás do atentado a bomba de 12 de agosto, em Bogotá?
O que se descobriu até agora indica a possibilidade de que os autores do atentado sejam das Farc. Mas, a esta altura das investigações, é prematuro responsabilizar alguém.

Sua política de combate às Farc será a mesma empregada por Uribe?
Nossa política contra as Farc, contra o narcotráfico, contra grupos criminosos a serviço do narcotráfico e contra todos os grupos fora da lei continuará sendo de total contundência nos âmbitos militar, policial e jurídico. Não vamos ter complacência, não vamos dar trégua. Temos de continuar com a pressão militar em todas as frentes. O que quero dizer é que a porta do diálogo com as Farc não está trancada e a chave não foi jogada ao mar. Mas precisamos obter do grupo uma demonstração que nos convença definitivamente de que quer um diálogo para chegar à paz. Os colombianos estão cansados de falsos sinais de esperança, que servem apenas para fortalecer a guerrilha e fazê-la ganhar oxigênio. Não vamos repetir a experiência de dar às Farc o benefício da dúvida. Vamos continuar combatendo o narcotráfico, porque ele financia a guerrilha. Esse é um problema de segurança nacional.

O governo de Álvaro Uribe foi muitobem avaliado justamente por causa do combate à guerrilha. É difícil assumir o cargo com a responsabilidade de manter uma política tão ou mais efetiva que a anterior?
Eu fui ministro da Defesa do presidente Uribe e, modéstia à parte, durante o meu ministério é que foram dados os golpes mais contundentes contra as Farc.
Nós continuaremos com eles, não vamos baixar a guarda. Mas é claro que o presidente Uribe nos deixou um grau muito alto de exigência, que vai nos obrigar a realizar ações muito efetivas e a trabalhar duro.

O próximo presidente brasileiro vai passar por uma experiência semelhante à sua, que é a de suceder a um político de enorme popularidade. Qual é o maior desafio para alguém nessa situação?
Eu sou o último pretendente a dar um conselho aos candidatos à Presidência do Brasil. O vital nessas circunstâncias é ter um programa claro de governo, ter noção exata da etapa em que o país está e fazer todo o possível para avançar no rumo certo. Uribe obteve excelentes resultados em sua luta contra o crime, e o país avançou muitíssimo. Isso nos dá a oportunidade de trabalhar com outras prioridades, que são a luta contra a pobreza e a luta contra o desemprego. Já que a questão da insegurança foi, de certa forma, superada, podemos nos dedicar
à parte social. No Brasil, a situação é diferente. Vocês não têm o mesmo problema de segurança que nós tivemos. O presidente Lula teve muito êxito em melhorar os índices de pobreza. Aí, então, o novo governo terá não somente de continuar isso, como também passar às outras prioridades. Cada país tem suas próprias características.

O senhor tem um favorito na eleição brasileira?
Não, não, não (risos). Eu conheço bem José Serra, estive com ele várias vezes, e não conheço a Dilma. Espero conhecê-la quando eu for ao Brasil. Mas quem tem de ter favoritos são vocês, brasileiros.Veja

25 de agosto de 2010

Pesquisas polêmicas

Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum. Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”? Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse nove pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses nove pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira. Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins. Marcos Coimbra

20 de agosto de 2010

Serra amarga semana ruim e campanha tucana beira à crise

Três sucessivos resultados desfavoráveis nas pesquisas de intenção de voto foram suficientes para levar a discórdia ao ninho tucano e empurrar a campanha de José Serra para uma crise só comparável à provocada pela escolha de Índio da Costa para a vaga de vice. Faltando um mês e meio para o três de outubro, aliados já omitem a figura de Serra nos programa de rádio e tv nos estados, e criticam a postura do candidato e do comando da campanha.

A divulgação dos resultados de diferentes pesquisas acabou firmando a noção de queda rápida e acentuada do candidato em relação à adversária petista, Dilma Rousseff, embora ainda falte mais de um mês até a eleição. Assim, primeiro foram os 8 pontos do Datafolha, depois, os 11 do Ibope e em seguida os 16 do Vox Populi – a sequência de maus resultados em poucos dias acabou colhendo Serra às vésperas da estréia da propaganda eleitoral.

Para piorar: em estados estratégicos para o tucano, importantes aliados preferiram não incluí-lo em seus programas de estréia, enquanto os aliados de Dilma tiveram atitude oposta. Serra só contou com uma citação rápida no programa de Alckmin, em São Paulo, e teve de se contentar com uma aparição breve de sua imagem em clip da campanha de Anastasia, nas Minas Gerais de Aécio Neves, que tirou o corpo fora: “As eleições terão absoluta lealdade e cooperação. Agora, o voto quem decide é o eleitor” – declarou o ex-governador.

Serra foi ainda afetado por erros estratégicos e de marketing: dosou mal a agressividade contra Dilma e o PT; e forçou uma imagem de homem do povo num programa de tv com recursos demasiado artificiais, como a favela-cenário.

Para fechar a semana, um dos aliados mais problemáticos de Serra, o deputado cassado Roberto Jefferson, do PTB, cujo apoio tem motivado duras cobranças éticas ao tucano, resolveu atirar. Jefferson, um especialista em sobrevivência política - que, no entanto, não escapou do escândalo do mensalão que ele mesmo deflagrou - agora já sente o cheiro da derrota. Em seu blog, escreveu, com a clareza de sempre: “se a oposição não se unir, vai perder, e feio (aliás, nem Cristo venceria...)! E o Serra é o responsável pela nossa dispersão; não o conheço, nunca me reuni com ele, apoiei sua candidatura a pedido do Geraldo Alckmin”.

A dureza da declaração de Jefferson é desproporcional à defesa que Serra tem feito da aliança com o PTB, e leva a deduzir que o que se diz em público não é o mesmo do que se declara em privado.

Roberto Jefferson fez de novo. Ele, que provocou a crise da revelação precipitada do vice, constrangendo o escolhido, Álvaro Dias, e levando o DEM a impor Índio da Costa. Com um aliado desses, Serra nem precisa de adversário.Da Christina Lemos

17 de agosto de 2010

Lula diz que Serra está com dificuldade de discurso para enfrentar seu governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB), "está com dificuldade" de achar um discurso para enfrentar seu governo. Em entrevista a rádios do Nordeste, afirmou que a oposição terá que "procurar muitos argumentos para fazer críticas" contra seus oito anos de administração.

"Às vezes, Serra fica tentando dizer coisas na área da saúde. Ele fala, fala, mas essas pessoas esquecem que para se vingar de mim acabaram com a CPMF. Tiraram por pura vingança", afirmou.

Tasso, o coronel babaca

Em entrevista a rádios do Nordeste, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB), que concorre à reeleição.

Sem citar o nome do tucano, disse que há uma elite no Nordeste que tem "uma vida de nababo" e que quem sai na frente em pesquisa nem sempre ganha eleição.

Pesquisa Datafolha publicada no fim de julho mostra Tasso com ampla vantagem na disputa pelo Senado, com 59% das intenções de voto. Os candidatos de Lula, Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT) estão empatados no segundo lugar com 24% pontos.

Lula disse que fez obras que a "elite brasileira" não teve coragem de fazer e que, por isso, a oposição fica "nervosa".

Citou a Transnordestina e a transposição do rio São Francisco.

"Ele poderia ir lá em vez de falar mal, e ver um canal que ele não teve coragem de fazer. Nunca prometi essas coisas e elas estão sendo feitas. Por isso, nossa oposição fica nervosa. O fato de nosso opositor estar na frente das pesquisas é porque é começo de campanha", disse o presidente, em referência ao senador.

Lula afirmou que quem quiser disputar com ele, precisará percorrer o Brasil. "Só no gogó não dá. Tem que colocar o pé no barro. Esse Brasil não é a Avenida Paulista. Isso eu sei que incomoda. A elite política do Nordeste vive uma vida de nababo sem ter cuidado corretamente de seus Estados", afirmou.

Em um ataque ao antecessor Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que ajudou mais os governos do PSDB, citando as gestões tucanos de José Serra e de Geraldo Alckmin, em São Paulo; e de Yeda Crusius, no RS.

"Pergunte ao governo de São Paulo, ao governo do Rio Grande do Sul. Eu desafio. Coloquei muito mais dinheiro nos governos Serra e Alckmin do que o Fernando Henrique Cardoso, porque minha relação não é entre partidos políticos, é de governabilidade e respeito ao povo brasileiro", afirmou.

11 de agosto de 2010

Marina diz ser a síntese dos governos do PSDB e do PT


Segunda entrevistada da série entre os três principais candidatos a presidente do "Jornal Nacional", a senadora Marina Silva (PV) se posicionou como uma síntese dos governos do PSDB e do PT.

O Brasil, segundo Marina, "teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação". Marina lembrou sua origem humilde, analfabeta até a juventude que só entrou pela porta da frente na política brasileira por causa "da educação".

Segura, demonstrando controle da situação e com maquiagem discreta (antes da campanha, Marina não usava maquiagem), a candidata do PV disse que, embora represente um pequeno partido, terá mais facilidades para compor maioria no Congresso em seu eventual governo que os adversários Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB.

"Eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram, que só poderão fazer mais do mesmo", criticou Marina.

A candidata do PV lembrou que o governo Fernando Henrique Cardoso foi refém, em seus oito anos de mandato, do Democratas (partido que à época ainda se chamava PFL). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por seu turno, destacou Marina, foi refém do PMDB.

"Eu quero governar com a ajuda do PT e PSDB", declarou Marina, repetindo um compromisso que tem sido recorrente na campanha.

Cobrada por sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, frequentemente acusada de retardar a concessão de licenças ambientais, Marina disse que enquanto foi ministra a média de concessão de licenças ambientais foi de 265 ao ano, contra uma média de 145 no governo anterior.

O momento mais difícil para a candidata, no decorrer da entrevista, foi quando o apresentador William Bonner, questionou sua atitude durante a crise do mensalão (escândalo da compra de votos, em 2005), quando muitos de seus colegas deixaram o PT, alguns, inclusive, às lágrimas.

Marina disse que não houve "conivência" e nem "silêncio" da parte dela, que preferiu ficar no PT "combatendo por dentro".

Marina disse que tanto dentro do governo como fora os que praticaram irregularidades - "eu não pratiquei" - no mensalão deveriam ser punidos. Só não teve a atenção que esperava do público e da mídia.

"Conheço milhares (de petistas) que não praticaram irregularidades", disse. Na opinião de Marina, "é preciso fechar as torneiras da corrupção enquanto ela está ocorrendo".

3 de agosto de 2010

Debate

O candidato José Serra, pode não apresentar programa de governo. Foi o quedisse nessa 5ª feira passada um dos seus coordenadoresde campanha. Talvez isso explique a série de ataques, agressões eacusações sem fundamento que Serra e seu vice têm adotado. Como não tem alternativa melhor do que o programa do pt e dilma, partem para baixarias afim de fugir do debate. Mas o dia do debate na Band tá chegando serra.

Serra ladeira abaixo

De todos os sumiços anotados pela cúpula da campanha de José Serra, nenhum causa mais espécie que o de Arthur Virgílio (PSDB-AM). O senador, que na tentativa de viabilizar sua reeleição aliou-se ao lulista Alfredo Nascimento (PR), rifou a campanha presidencial tucana no Amazonas.

É nessa hora que podemos ver o quanto demagogo e desprezível são os senadores Artur Virgílio e José Agripino, acrescente a esses, o Tasso Jereissati, o Sérgio Guerra entre outros, que estão tentando enganar o povo, fazendo-se passar por próximo as políticas do governo Lula, quando na verdade, votaram e trabalharam contra os avanços do país, bombardearam e protelaram projetos importantes para o povo. Devem ser banidos da política.

1 de agosto de 2010

A Folha implora para Aécio aderir Serra

Na manchetona da Folha;Propaganda de candidatos aliados ainda não incorporou imagem de Serra

Serra brigou nos bastidores com FHC; abertamente, com Alckmin; atropelou a indicação de Aécio como candidato à Presidência pelo PSDB; bateu de frente com Tasso Jereissati.... Depois disso, alguém acha que os candidatos tem que carregar esse mala sem alça? Brigou no ar com Mirian Leitão, mandou demitir Priolli da TV Cultura. Chamou a Bolivia de narco-traficante, Chaves de ditador e Lugo de pedinte. Um homem como esse na Presidência é um perigo para o Brasil

Linda

"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.

29 de julho de 2010

Mercadante reforça crítica a gestões tucanas

Candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) subiu o tom das críticas contra a gestão tucana, ontem. Prometeu acabar com a progressão continuada na educação e comparou o sistema de promoção de professores por mérito, criado na gestão tucana, a um "pau de sebo". "Só 20% se beneficia e quando isso ocorre só pode receber novo bônus quatro anos depois. É como um pau de sebo. Ele nunca chega ao topo", disse.


O candidato acusou, ainda, a gestão tucana de barrar projetos federais por questões políticas. "São Paulo não participa do Saúde da Família, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ou das Unidades Básicas, cujo orçamento da União é complementado pela administração municipal. O governo paulista, aliás, é o único entre os Estados que não tem parceria com o governo federal nesses programas", disse.

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, Mercadante disse que o principal rival, Geraldo Alckmin (PSDB), "não vai para as ruas para não ver a insatisfação do povo". O candidato participou de sabatina do UOL e do jornal Folha de S. Paulo.

27 de julho de 2010

Pesquisas da discórdia

Na política brasileira sobram exemplos de que pesquisas não ganham eleição, porém, tiram do sério candidatos e mexem com os ânimos de seus partidários. Por isso, a divulgação dos levantamentos é tratada por marqueteiros como uma guerra de informação e de contrainformação. Quando a pesquisa é favorável, é tratada como verdadeira; quando não é, vira maracutaia. E a polêmica sobre elas pega fogo na campanha.

É mais ou menos o que está acontecendo entre militantes do PT e do PSDB por causa das listas do Vox Populi e do Datafolha divulgadas na semana passada. Os dois partidos, a propósito, têm suas próprias pesquisas diárias (não divulgadas) e critérios mais científicos, portanto, para avaliar eventuais discrepâncias.

Na pesquisa Datafolha para presidente da República divulgada no último sábado, há um empate técnico entre os candidatos José Serra (PSDB), com 37% das intenções de voto, e Dilma Rousseff (PT), com 36%. Marina Silva (PV) aparece com 10 pontos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Com isso, Serra pode ter entre 35% e 39% e Dilma, entre 34% e 38%. Ou seja, tanto um quanto a outra podem estar na frente, com uma diferença de até 5% a 3%, respectivamente.

Olhares

O resultado foi comemorado pelo PSDB, mas nem tanto pelo PT. Afinal, na sexta-feira anterior, a pesquisa do Vox Populi mostrava Dilma com oito pontos de vantagem. Teria 41%, contra 33% de Serra e 8% de Marina Silva. Essa discrepância alimentou polêmicas que deverão se intensificar com a divulgação das próximas pesquisas Sensus e Ibope. Os dois institutos — como no caso do Datafolha e do Vox Populi — também costumam apresentar resultados discrepantes por causa da diferença de metodologia.Correio

22 de julho de 2010

Arrecadação e número de trabalhadores com FGTS batem recorde

A arrecadação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) superou os saques em R$ 5,9 bilhões nos seis primeiros meses do ano, segundo dados da Caixa Econômica Federal divulgados nesta quinta-feira.

O valor equivale praticamente ao mesmo que foi aplicado pelo fundo no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida nesse período.

O valor recorde é 160% superior ao verificado no mesmo período do ano passado e representa 85% do resultado líquido do fundo em 2009. A Caixa projeta para o ano uma arrecadação líquida recorde de R$ 11 bilhões. O orçamento do fundo para investimentos chegou a R$ 64 bilhões.

No primeiro semestre deste ano, a arrecadação bruta cresceu 10% em relação ao mesmo período do ano passado, puxada pelo aumento do emprego formal.

Em junho, por exemplo, foram registrados números recordes de empresas contribuindo (2,8 milhões) e de trabalhadores com o benefício depositado em suas contas individuais (32,5 milhões).

Apesar do aumento no uso de recursos para a casa própria, houve redução na quantidade de retiradas motivadas por demissões sem justa causa. Com isso, o total de saques caiu 4%.

SAQUES

As demissões são o principal motivo para saques (65% do total), seguidas pelo uso para a casa própria (14%) e pelas aposentadorias (13%).

O FGTS também pode ser sacado em caso de doença grave ou estágio terminal, falecimento do trabalhador, rescisão de contrato por extinção da empresa, entre outros motivos.

No primeiro semestre, foram liberados R$ 37,4 bilhões do FGTS. Cerca de 65% dos recursos se referem a saques. O restante foi direcionado a investimentos em habitação, saneamento e infraestrutura, entre outros.

De acordo com a Caixa, 82% dos recursos do fundo para a casa própria estão sendo utilizados para financiar famílias com renda de até cinco salários mínimos.

"Isso mostra que o FGTS tem sido utilizado para financiar as famílias com menor renda, que é onde se concentra o deficit habitacional", disse o vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Wellington Moreira Franco.

25 de junho de 2010

Pesquisa faz Serra acelerar escolha do vice

Um dia após a divulgação da pesquisa CNI/Ibope que o mostrou pela primeira vez atrás da rival do PT, Dilma Rousseff, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, passou o dia ao telefone consultando os líderes mais influentes do partido tentando definir o vice de sua chapa. Serra discute, entre outros nomes, a escolha de Patrícia Filler Amorim para o posto.

Patrícia, de 41 anos, é ex-atleta e presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Em telefonemas a vários interlocutores, entre os quais o ex-governador de Minas Aécio Neves e o senador Tasso Jereissati (CE), Serra diz que está recolhendo opiniões e ouvindo. Ao mesmo tempo, porém, não esconde seu entusiasmo pessoal com a possibilidade de escolha da nadadora que foi 28 vezes campeã brasileira e estabeleceu recordes nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.

A cúpula do DEM também trabalha nos bastidores para emplacar um nome de suas fileiras na dobradinha com o tucano. Ontem, o comando de campanha de Serra e líderes de partidos aliados ? como o próprio DEM ? decidiram fazer uma reunião para tratar da questão do vice e discutir os rumos da campanha. O encontro foi no QG do comando da campanha, o antigo Edifício Joelma, em São Paulo, onde funciona o Diretório Municipal da legenda.

Algo novo. A vários tucanos, Serra disse que ainda estava querendo saber melhor quem é Patrícia e que também faz questão de ouvir todo mundo para tomar a decisão. Mas adiantou que ela pode ser algo novo na campanha tucana.

Antes de se tornar a primeira mulher a presidir o Flamengo, Patrícia foi eleita por três vezes vereadora pelo PSDB do Rio. Em 2008, assim como nas outras ocasiões, ela sempre defendeu a bandeira do esporte.

Embora alguns tucanos experientes ponderem que se trata de uma opção ousada e de eficácia eleitoral duvidosa, um dirigente do PSDB sustenta a tese de que o Flamengo equivale a um Bolsa-Família, com potencial para fazer com que o nome de Serra chegue a camadas mais populares do eleitorado. A aposta dos mais otimistas é que a escolha pode repercutir além das divisas do Rio, o que já não seria pouco, considerando que se trata do terceiro maior colégio eleitoral, com 10,9 milhões de eleitores.

O raciocínio nesse caso é que ter a presidente de um clube de futebol na chapa abre um espaço novo para Serra levar sua candidatura a conhecimento de quem não gosta nem acompanha o noticiário político. O tucanato acredita que ter o nome do candidato do partido no noticiário esportivo seria positivo.

Opções. Apesar de a balança tucana pender para Patrícia Amorim, até a noite outras opções do partido não estavam totalmente descartadas. Reforçando a ideia de ter uma vice mulher, a exemplo do que ocorreu em 2002, quando o PMDB entrou na chapa com a deputada Rita Camata (ES), o próprio Serra colocou o nome da senadora Marisa Serrano (PSDB-MT) como opção.

Na lista de vices tucanos também figura o nome do senador Álvaro Dias, como alternativa para fechar uma composição mais ampla com o PDT do senador Osmar Dias em um Estado importante como o Paraná. Alguns dirigentes avaliam que é preciso agregar mais votos no Sul para alargar a vantagem de Serra na região.

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e seu antecessor Jorge Bornhausen têm insistido em fincar o pé na chapa presidencial com um vice do partido. Nos bastidores, líderes do DEM dizem que a presidente do Flamengo pode até levar 40 % da torcida do clube com ela, mas, nesse caso, o tucano poderá enfrentar a oposição de 60% dos cariocas que torcem para outros times. Eles afirmam que a escolha tem de passar pelos partidos aliados, e não pelo perfil de pessoas.

De qualquer forma, o DEM também já escalou sua lista de opções de vice para se contrapor a qualquer critério que os tucanos venham a usar como justificativa na escolha final. Para fazer frente à alternativa Patrícia Amorim, por exemplo, sugerem a vice-presidente nacional do partido, Valéria Pires Franco, 41 anos, que já foi vice-governadora do Pará.

Argumentam que ela tem boa presença na televisão - foi apresentadora do telejornal local da TV Globo - e a simpatia de 12% do eleitorado paraense. Os tucanos rebatem, dizendo que ela mesma já mandou recados de que prefere disputar uma vaga no Senado, pois tem 46% das intenções de voto para o posto, segundo pesquisas internas. No embalo dos elogios públicos feitos pelo próprio Serra, a opção nordestina do DEM para concorrer com Sérgio Guerra é o deputado José Carlos Aleluia (BA).

TSE absolve Paulinho, mas a imprensa, esqueceu de divulgar

» O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou na noite de ontem, por unanimidade, um recurso do Ministério Público que pedia a cassação do mandato do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Ele já havia sido inocentado pela Justiça Eleitoral paulista da acusação de ter utilizado carros de sindicatos durante a campanha de 2006. Na ocasião, Paulinho foi o sexto mais votado para o cargo de deputado, com 287 mil votos. “Não seria razoável concluir que o uso de carros teria potencialidade para influenciar o pleito para deputado federal em São Paulo”, entendeu o relator, ministro Marcelo Ribeiro.

24 de junho de 2010

Ei vi de perto

Ruas arborizadas e prédios antigos são diferencial de Boston

O bar Cheers, imortalizado na série de TV, está no roteiro obrigatório de quem visita Boston

Fundos da igreja em Copley Square, em Boston

Copley Square e arredores 

Vista do Prudential Center, um dos locais para fazer compras em Boston 

 
Bondinho tradicional serve de transporte para turistas em Boston


Fenway Park, estádio do time de baseball Red Sox, é uma das paixões dos habitantes de Boston


Região perto do MIT e da Universidade Harvard, em Boston

1 de junho de 2010

Receita de marketing

Relações comerciais entre médicos e fabricantes de remédios são proibidas por associações e órgãos da categoria. Mas existem.

Segundo pesquisa do Cremesp (conselho regional de medicina), 93% dos médicos paulistas recebem algum tipo de vantagem da indústria.

Quase metade dos médicos visitados por profissionais que fazem propaganda de remédios receitam o medicamento promovido.

A simples presença do representante da indústria no consultório já deveria ser evitada. Ela contribui para levantar suspeitas sobre a escolha deste ou daquele remédio e deixa dúvidas sobre a confiança que deve marcar a relação com o paciente.

A justificativa mais usada para essas visitas promocionais é a necessidade de divulgar informações científicas para atualizar o profissional. Mas esse argumento é falso.

Não é preciso receber a visita de um representante dos laboratórios para se atualizar. Hoje, com a internet, as novidades da medicina estão ao alcance de todos os que têm acesso a um computador.

Se até pacientes usam a rede mundial para se informar, por que os clínicos não podem fazer o mesmo?

Além do mais, as pesquisas utilizadas pelos departamentos de marketing dos fabricantes são, em geral, favoráveis a seus produtos. Apenas os bons resultados aparecem com destaque.

O médico que se fiar nelas não vai cumprir a obrigação de buscar o melhor tratamento para o paciente.

As regras que condenam esse tipo de comportamento existem. E precisam ser cumpridas.

26 de maio de 2010

Dispara venda de notebooks

A venda de computadores cresceu 23% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Foram 2,89 milhões de máquinas comercializadas nos três primeiros meses de 2010, sendo 1,36 milhão de notebooks - em alta de 70% na comparação entre os períodos - e 1,53 milhão de desktops (computadores com torre) - praticamente estáveis (ligeira queda de 1%).

Os dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee)e da consultoria IT Data indicam que os notebooks já correspondem a 52% dos computadores vendidos para o consumidor final no mercado brasileiro. “Desde o final do ano passado percebemos o crescimento no varejo dos produtos de maior mobilidade, que é o que busca o consumidor doméstico. E o preço do notebook em queda tem ajudado esse mercado a crescer”, diz Hugo Valério, diretor de informática da Abinee.

Em vendas totais, os desktops ainda são os mais procurados por causa do mercado corporativo, que dá preferência para as estações fixas de trabalho, cujo desempenho é, em geral, superior ao dos notebooks, além de serem mais baratos e permitirem melhorias,como a ampliação da memória.

Na comparação com o último trimestre de 2009, o mercado vendeu 700 mil computadores a menos, mas a retração se deve a um fator sazonal. “Nos primeiros três meses do ano o brasileiro está sempre endividado e costuma deixar a compra de produtos de informática para os meses seguintes”, comenta o diretor da Abinee.

25 de maio de 2010

Nós perguntamos, e quem vai responder?

Tasso Jereissati (PSDB-CE), o homem conhecido como coronel jaguço da política, é o comandante da campanha José Serra presidente. Tasso, deu ordens para os militantes do PSDB na rede web, difundam que,o ex presidente Fernando Henrique Cardoso controlou a inflação...Arrumou o Brasil para o crescimento...Criou o Plano Real... Tudo bem. Mas a pergunta  que não quer calar é;Por qual motivo então o PSDB não o coloca Fernando Henrique ao lado de José Serra, para defender essas importantes conquistas no programa de tv dos tucanos? Eles estão com medo de que? O presidente Lula tem defendido seu governo ao lado da ex ministra Dilma Rousseff

14 de maio de 2010

Meta de inflação garantiu melhor saída da crise

Há fortes indícios de que os países que adotam o regime de metas para a inflação saíram melhor da crise global de 2008 do que os que não adotam essa política. Num texto intitulado "Metas de Inflação e a Crise: Uma Avaliação Empírica", Irineu de Carvalho Filho, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), faz uma cuidadosa análise comparada e conclui que os países com regime de metas se mostraram mais resistentes que os demais à turbulência.

Numa amostragem de 49 economias na qual 21 adotam o sistema de metas, ele encontrou dados que evidenciam que estes tiveram menor perda de produção industrial, recuperaram-se mais rapidamente do desemprego, evitaram a deflação e foram capazes de reduzir as taxas nominal e real de juros mais do que os que não operam com ele.

No Brasil, o regime de metas também passou pelo teste da grande crise. Mas, mesmo com a demora do Banco Central em reduzir a taxa básica - que só começou a cair em janeiro de 2009, o que foi muito criticado - a inflação, que em vários países se converteu em deflação, aqui ficou acima da meta de 4,5%. O IPCA, no pior ano desde a Grande Depressão, foi de em 5,9%, mostrando uma força intrigante.

Para lidar com o sistema de metas, um dos pressupostos é que o BC tenha alguma autonomia. Não independência, porque esta significaria ter poder até para escolher a meta, o que não é o caso.

Aqui, ela é definida pelo presidente da República, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional e, ao BC cabe cumprir a tarefa de levar a inflação para o alvo, com salvaguardas para acomodar choques de oferta e bom-senso de, em nome de uma trajetória de desinflação, não afundar o país na recessão.

A discussão que se estabeleceu nos últimos dias sobre inflação, juros, democracia e autonomia do BC tem o viés ideológico próprio da luta política mas, também, um certo grau de resistência ao modelo.

Não cabe ao BC decidir qual a inflação que a sociedade deseja: esta será definida pelo presidente eleito. Ao fixar a meta de inflação, ele terá considerado várias das premissas básicas, como o crescimento que a economia suporta com aquela taxa inflação e a criação de empregos que esse crescimento poderá gerar, entre outras.

A diretoria do BC também é escolhida pelo presidente, avalizada pelo Senado e pode ser demitida a qualquer momento. Consolidou-se, no país, a ideia da autonomia concedida, não formalizada em lei.

Esse é um tema relevante, pois as decisões do BC afetam a todos. Ele é o principal responsável pela estabilidade da economia e isso não é pouco. Quando o pré-candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, em entrevista à rádio CBN, disse que o BC não é a Santa Sé, intocável, não jogou luz no debate.

No dia seguinte, novamente abordado sobre o tema, Serra mencionou que, se eleito, adotará um modelo de coordenação da política macroeconômica em que a diretoria do Banco Central discutirá com o Ministérios da Fazenda e do Planejamento o curso da política econômica. Essa pode ser uma boa iniciativa. Como disse certa vez o ex-presidente do BC Armínio Fraga, não é possível chegar a bom termo se enquanto um liga a calefação, o outro aciona o ar refrigerado. Ou, não se pode esperar que os juros baixem se a política fiscal é expansionista num momento em que a inflação ameaça.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, resolveu dar uma ajuda ao BC para que os juros não cuidem, sozinhos, de conter a elevação dos preços. Anunciou um corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo para reduzir a pressão do setor público sobre o crescimento que se dirige a 7%.

A discussão sobre o porquê de o país ter, por longos anos, as maiores taxas de juros do mundo é legítima e necessária na campanha eleitoral e fora dela. Ao mesmo tempo, seria oportuno neste momento também definir que tipo de Banco Central se quer ter. Uma autonomia legal, por exemplo, deveria estabelecer direitos e deveres e, na lista das obrigações, caberia impor limites ao BC para criar gastos fiscais seja com a política cambial, de crédito ou de socorro ao sistema bancário.

Países com regime de metas para a inflação, caso se confirme a tese do economista do FMI Irineu Carvalho Filho, foram mais resilientes na crise mundial e isso se traduziu em menos prejuízos ao seus povos. Nesse sistema, a base é a coordenação das expectativas dos agentes econômicos. Os juros são o principal instrumento e a credibilidade do BC contribui para mitigar o custo da estabilização.

A questão da autonomia dos bancos centrais surgiu, no mundo, da constatação de que os políticos, em geral, buscam a reeleição e, para isso, tendem a preferir políticas monetárias expansionistas (com juros baixos) no curto prazo, mesmo que às custas de mais inflação.

O poder sobre a moeda nunca foi assunto pacífico no país. Foram 20 anos de discussão para se criar o BC e outro tanto para ele ser a única autoridade monetária do país.

A alegação de que a diretoria do BC não tem representatividade política para preservar o poder de compra da moeda carece de fundamento à medida que a autonomia operacional é somente uma delegação de poderes conferida pelo presidente da República e pelo Senado.