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17 de agosto de 2009

Guerra da audiência chega aos ônibus de São Paulo

Na coluna de Daniel Castro ficamos sabendo que a Globo continua firme no monopolio da lavagem cerebral. Veja essa; A Globo lança hoje um serviço de TV para ônibus em São Paulo. Inicialmente, serão 300 veículos transmitindo uma programação pré-gravada, mas atualizada todos os dias.

O "programa", de uma hora, será reprisado continuamente. Trará resumos dos capítulos do dia anterior das novelas -"Malhação", "Paraíso", "Caras & Bocas" e "Caminho das Índias"- e "informações de caráter de prestação de serviços".

Outros 30 ônibus transmitirão o sinal digital da Globo, ou seja, terão a programação da emissora em tempo real. Cada ônibus terá dois monitores de LCD de 24 polegadas. As linhas que terão o serviço não foram divulgadas pela emissora.

O lançamento da Globo leva para os ônibus a guerra da audiência. A rede acelerou a entrada em vigor do projeto, em desenvolvimento há alguns meses, ao saber que a Record planeja algo semelhante. A Record, que pretendia ser mais rápida, confirma o projeto, mas diz que ainda é "confidencial".

Ao levar sua programação para os ônibus, a Globo garante um público que perde horas todos os dias no trânsito. É uma forma de fidelizar a audiência e de atrair público que normalmente não vê TV. É também uma tentativa de conquistar telespectadores que migraram para as novelas da Record.

Os ônibus que carregarão a Globo são de viações que têm contrato com a empresa Bus Mídia. A Globo diz que não terá custos com a operação. A receita da Bus Mídia virá de publicidade, que terá de seguir o manual de práticas comerciais da Globo. A emissora também negocia com cooperativas de táxi.

14 de agosto de 2009

Record assume dízimo e Globo vai ao Congresso

E a guerra continua. Ontem à noite se desenrolou mais um capítulo da guerra entre Globo e Record, as duas maiores redes de televisão do país. No Jornal da Record, apresentado por Ana Paula Padrão e Celso Freitas, a emissora do Bispo Macedo assumiu publicamente que o dízimo é a base de sustentação da Igreja Universal do Reino de Deus e ouviu depoimentos de deputados e senadores, em Brasília, contra o monopólio da Globo. Já o Jornal Nacional, comandado por William Bonner e Fátima Bernardes, voltou a atacar o dízimo como forma de exploração da boa fé dos seguidores da Universal.

O Jornal da Record acusou a Globo de ter desrespeitado um espaço religioso, uma vez que um repórter da rival entrou num templo da Universal com uma câmera escondida no intuito de mostrar as doações dos fiéis. A reportagem da Record afirmou que os fiéis têm orgulho de dar o dízimo e mostrou trechos da biografia de Edir Macedo, em que ele fala que a doação é um compromisso, não uma obrigação.

A Record correu ao Congresso para repercutir os ataques da TV Globo à Record.

– Se não tivermos uma imprensa que separe suas pretensões da política não teremos política de fato – comentou o deputado Fernando Ferro (PT-PE).

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o poderio da emissora, enquanto o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que a Globo não é mais “como era”

– Esse monopólio da Globo desapareceu.

Vice-presidente da Câmara, o petista Marco Maia salientou a necessidade da pluralidade e equivalência de poder para as emissoras, e lembrou o direito ao debate:

– Quanto mais espaço o cidadão tiver melhor para a democracia.

Para o senador Magno Malta (PR-ES), o sucesso da Record “incomoda, com seu crescimento”, o que foi ao encontro da opinião de Brizola Neto (PDT-RJ):

– Sentimos uma resistência muito grande, a Globo não quer perder esse monopólio.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), frisou que a Justiça apenas recebeu, e ainda não acolheu, a denúncia do Ministério Público

No Jornal Nacional, três senadores (entre eles Garibaldi Alves Filho) e três deputados (Rodrigo Maia foi um deles) falaram sobre a obrigação de se investigar as acusações do Ministério Público, porque os fiéis devem ser respeitados e o uso do dízimo deve ser transparente. Raul Jugman falou em “exploração da fé”. Mostrou ainda o deputado Bispo Rodovaldo (da “bancada evangélica”) defendendo, falando que o dinheiro doado pra Igreja pode ser usado nas coisas onde haja o nome da Igreja.

Corrupção;PSDB representa contra procuradores


O PSDB nacional entrou com representação no Conselho Superior do Ministério Público contra os seis procuradores que pediram o afastamento da governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, em ação de improbidade administrativa. A Justiça negou o pedido.

Yeda ainda é alvo de dois pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa, feitos pelo PSOL e pelo Fórum dos Servidores Público. Rompido com Yeda, o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) também teve seu afastamento pedido ontem pelo deputado estadual tucano Coffy Rodrigues. Ele diz que Feijó cometeu improbidade administrativa em contratos de prestação de serviço entre sua empresa e a Universidade Luterana do Brasil.

Feijó nega irregularidades.

— Isso confirma o agravamento da crise política no Rio Grande do Sul — disse o presidente da Assembleia, Ivar Pavan (PT), que assumiria o governo, se os dois forem afastados.

Em nota, o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), manifesta “perplexidade” e “indignação” com a atuação do MP. Para o PSDB, a entrevista em que os procuradores anunciaram a ação contra Yeda “teve roteiro próprio aos anúncios de espetáculos”. Segundo o PSDB, os procuradores acenaram com uma “bomba atômica”, mas se viu “o genérico, sem apresentação de qualquer fato”.

A Associação Nacional dos Procuradores da República, em nota, defendeu os procuradores.

“Não há rigorosamente nenhum caráter eleitoral na ação da parte do Ministério Público Federal. Ela baseia-se na análise técnica de provas, à luz da legislação em vigo

Pandemia lucrativa


" Considero uma bênção ter sido o cientista responsável por inventar o Tamiflu "

O doutor Norbert Bischofberger fica irritado quando alguém argumenta que ele está cada vez mais rico graças à gripe suína, também conhecida como Influenza A. Mas a verdade é exatamente essa. Como inventor do Tamiflu, única droga eficaz contra o vírus H1N1, o austríaco tem direito a uma saudável fatia dos lucros obtidos com o medicamento.

Rendimento que tem disparado em consequência de os governos, preocupados com a pandemia, estocarem mais e mais doses do remédio. Bischofberger liderou o time que, nos anos 1990, desenvolveu o medicamento no laboratório americano Gilead e pavimentou seu caminho para a vice-presidência da companhia, cargo que ocupa até hoje.

Além da porcentagem direta das vendas do Tamiflu, portanto, Bischofberger também ganha sempre que o Gilead recebe mais e mais royalties sobre o comércio do medicamento, atualmente distribuído pela suíça Roche. Sem contar sua fatia no Tamiflu, Bischofberger acumula um salário anual de US$ 650 mil no laboratório.

Além disso, ele tem mais de US$ 53 milhões em opções de compra de ações do Gilead, papéis que também se valorizam à medida que as vendas do Tamiflu crescem. Segundo a Roche, apenas nos seis primeiros meses deste ano, as vendas de Tamiflu chegaram a US$ 938 milhões. Governos de países de todo o mundo foram responsáveis por US$ 612 milhões desse total, de acordo com o laboratório. Segundo Bischofberger, porém, o dinheiro não foi sua motivação para desenvolver o medicamento. Para ele, foi uma bênção ter sido o cientista responsável pela criação da droga, pois ela pode fazer a diferença na vida de várias pessoas.

O austríaco vai mais longe, e diz que o trabalho, e não o dinheiro, é o que mais importa para ele. Segundo Bischofberger, independentemente do quanto ganha, acorda diariamente às quatro e meia da manhã e, às sete, já está no escritório. Ainda que diga não se importar com dinheiro, o austríaco sabe o que fazer com ele. Recentemente, ele adquiriu o Hotel Sonne, no norte da Áustria, por 12 milhões de francos suíços (cerca de US$ 11,03 milhões), para transformálo em um spa de luxo.

Indiretamente, Bischofberger aposta que continuará lucrando alto com o Tamiflu, já que não espera melhora no quadro da pandemia mundial de Influenza A. O cientista relativiza informações que indicam que o vírus H1N1 começa a se tornar resistente ao medicamento. Para Bischofberger, esses dados podem ser resultado de avaliações feitas em pacientes menos sensíveis ao Tamiflu, e não porque o remédio não é mais eficaz.

Além disso, não há atualmente no mercado nenhuma droga tão eficiente quanto essa para o combate à gripe suína. Ainda que vários outros medicamentos estejam sendo desenvolvidos, assim como vacinas contra a doença, é pouco provável que possam afetar a demanda cada vez maior pela droga no curto e médio prazos.

A preocupação de governos, como o brasileiro, ainda deve sustentar as vendas do remédio por um bom tempo. Pensando nisso, a própria Roche já começou a elevar sua capacidade de produção. Em 2010, o laboratório espera ter condições de fabricar anualmente até 400 milhões de doses do Tamiflu. Tudo isso contribuirá, também, para elevar os rendimentos do dr. Bischofberger. Ele, porém, também se mostra preocupado e, a exemplo dos governos de todo o mundo, começou a estocar em casa o medicamento que inventou.

Conhecendo o inimigo de perto, ele afirma que uma bactéria ou vírus como o H1N1 representa uma ameaça muito maior à humanidade do que uma guerra nuclear. Mas, enquanto a hecatombe biológica não acontece, sua conta corrente vai muito bem, obrigado

13 de agosto de 2009

Alguém topa?

Que tal algum senador propor acabar com os cargos de livre nomeação da Presidência do Senado? Os senadores só ficariam com o direito de nomear os assessores do seu gabinete. Aliás, seria uma boa medida para as Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais em todo o país. Que tal?

Fica Sarney


A melhor receita para por fim à crise no Senado é Sarney botar focinheira na oposição e recomendar umas doses elevadas de chá de erva-cidreira pra todo mundo. Sem isso vai ser muito difícil a retomada da normalidade dentro da mediocridade reinante no Congresso Nacional. O Senado tem que voltar a funcionar, por pior que seja esse funcionamento. O impasse não beneficia ninguém.

O presidente do Senado tem maioria no Conselho de Ética e é isso que conta. Não adianta essa chiadeira toda, porque a situação será resolvida no voto. Só a oposição não se deu conta disso e quer afastar José Sarney do cargo sem ter votos para tanto.É sim aquilo que disse Renan.PSDB é minoria que quer ser maioria.

Ao distribuir essa pancadaria, cria problemas até para o PT, que se encontra numa encruzilhada: atender aos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e receber suas bênçãos para a reeleição no ano que vem, ou contrariar o governo, crente que será beneficiado votando pelo afastamento de Sarney.

O oportunista


Protógenes Queiroz descartou esta semana o PDT do leque de opções para seu ingresso na política. Não gostou que dirigentes dessem como certo seu ingresso no partido. “Afirmo apenas que concorrerei por legenda da base de sustentação do governo.” O nome da “noiva” será conhecido no dia 2 de setembro. O delegado informou ter em mãos pesquisa que lhe atribui potencial de uns 500 mil votos. Animado, chutou a modéstia: “Virei um partido.”

Sem nada para fazer


Na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados discute-se mudar o batismo da BR-101. A segunda maior estrada federal do País, com 4.125 km, ganhou o nome de Mário Covas no governo de FHC. A ideia é que só o trecho que corta São Paulo reverencie o ex-governador. Os demais teriam outros homenageados. Parece bobagem. E é.